De um cotidiano na superfície banal até sermos questionados de maneira incisiva: Por que se fazer filmes? Jafar Panahi, cumprindo prisão domiciliar desde meados de 2010, explícita no clandestino e visceral Isto Não É um Filme não só o desconforto de um autor castrado, mas além disse a possibilidade de subversão das próprias arestas do cinema e da arte. É sim um filme obrigatório pra todo mundo que se diz apaixonado por cinema.
Isto Não É um Filme (In Film Nist) - Mojtaba Mirtahmasb & Jafar Panahi, Irã, 2011.
[4.5/5]
Provavelmente um dos filmes que mais vi quando criança, foi uma espécie de perda da inocência quando descobri uns anos depois que essa versão disney suave e família de Hércules nada havia me ensinado de mitologia grega. Mas o filme nunca teve esse objetivo e como praticamente todo clássico infantil esta aí pra moldar um caráter e nos ensinar os passos da jornada do herói. E você sabe que continua bonitinho quando consegue até hoje lembrar e cantar junto cada música do filme.
Hércules (Hercules) - Don Clements & John Musker, EUA, 1997.
[3.5/5]
Ainda que ao final de Mulan, depois de salvar a honra do país e da família, a protagonista retorne ao lar para cumprir suas obrigações enquanto mulher, já era possível observar nesse filme (ou talvez até mesmo antes com a Jasmine de Aladdin) uma tentativa da Disney, ainda que precoce, em adaptar seus filmes de princesas a uma geração que tendia a se afastar cada vez mais daquele universo feminino frágil e casto que já não funcionava tão bem quanto nos primórdios da empresa.
Mulan (Mulan) - Tony Bancroft & Barry Cook, EUA, 1998.
[3/5]
Espécie de afronta as especificações do gênero sobre o qual Nicholas Ray construiu boa parte da sua cinematografia, Johnny Guitar aparenta a cada nova revisão ser um tipo de anti-western, registro onírico desse espaço mítico do velho oeste, pontuado desde a subversão da fragilidade feminina das personagens de Joan Crawford e Mercedes McCambridge até o flerte com o cinema de vanguarda dentro de uma produção industrial.
Johnny Guitar (Johnny Guitar) - Nicholas Ray, EUA, 1954.
[5/5]
Ainda que me incomode muito todo esse excesso proposital, histriônico e estereotipado que é adaptação de Scott Pilgrim Contra o Mundo, não há como negar aquela expressão chavão de filme mais autêntico dos últimos anos ao surpreendente trabalho de inserção de linguagens (games, internet, quadrinhos e videoclipe) que o britânico Edgar Wright realiza nesse seu primeiro trabalho americano.
Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. the World) - Edgar Wright, EUA/Inglaterra/Canadá, 2010.
[4/5]
Canastrice das boas levada a tela por Phil Lord e Chris Miller, produtores de How I Met Your Mother, esse Anjos da Lei parodia e pouco faz questão de ser fiel ao original oitentista da tv e isso esta longe de ser um problema. Deliciosa e politicamente incorreto, o filme da fôlego ao subgênero esgotado das comédias de homem, acertando no bromance entre os bem entrosados Jonah Hill (melhor ator a cada trabalho) e Channing Tatum (que nunca me agradou, mas aqui esta longe de ser ofensivo) e nas tiradas épicas com ícones pop e as virtuosidades babacas da juventude de hoje.
Anjos da Lei (21 Jump Street) - Phil Lord e Chris Miller, EUA, 2012.
[3.5/5]
Os Bem-Amados é um filme curioso. Um acerto em relação aos trabalhos adiposos que precederam o estupendo Canções de Amor, mas um reflexo sem a metade do charme que o musical de 2007 tinha. As comparações são inevitáveis, até porque o mesmo elenco, mesmo compositor e a mesma temática da vida e morte entrelaçando uma relação familiar estarem em função de um cinema a principio irregular, mas propositalmente cada vez mais disperso ao público e próximo do diretor. É um problema (ou não) que parece ter se instalado no momento que Christophe Honoré resolveu criar uma obra egocêntrica que não só continua a falar de si mesmo, mas passa a ser de seu único e exclusivo prazer. E que (in)felizmente torna cada vez mais complicada uma identificação com seu público.
Os Bem-Amados (Les Bien-Aimés) - Christophe Honoré, França/Inglaterra/ República Tcheca, 2011.
[3/5]
Possivelmente Sete Dias com Marilyn funcionaria muito melhor se lançado como tele-filme ao invés dessa aposta mal sucedida que teve no cinema, até porque não falta bagagem nesse tipo de mídia para Simon Curtis e Adrian Hodges, experientes diretor e roteirista da tv britânica. Se o filme peca pela redundância e certa falta de interesse na sua própria história, fica a cargo do elenco (Branagh, Redmayne e a participação encantadora de Julia Ormon como Vivien Leigh), mas principalmente de Michelle Williams que faz não menos que o sublime ao construir com tão precisa comoção e sensualidade essa figura mítica que foi Marilyn Monroe.
Sete Dias com Marilyn (My Week With Marilyn) - Simon Curtis, Inglaterra/EUA, 2011.
[3/5]
Precedido de adaptações solos e frágeis dos heróis icônicos da Marvel - com exceção do primeiro Homem de Ferro que fora sim muito promissor - chega até ser uma surpresa que esse Os Vingadores não seja o filme apático que se previa. Não negando a aura nonsense que vinha se instalando de maneira frouxa nos filmes anteriores, ninguém melhor que Joss Whedon e sua bagagem na scifi televisiva pra dar ritmo e propriedade a essa matinê empolgante que é o filme, que, balela ou não, cumpre com excelência o que fora prometido desde o início, um filme de ação impactante.
Os Vingadores (The Avengers) - Joss Whedon, EUA, 2012.
[3/5]